Relatórios de Biodiversidade

Os relatórios apresentam um cenário sobre a diversidade de vida presente na Área Particular de Preservação Ambiental São Francisco e fornecem uma avaliação do status de conservação das espécies. 

Desde 2015, a Área Particular de Preservação Ambiental São Francisco vem sendo palco de pesquisas científicas. Organizado pela equipe do Instituto Felinos do Aguaí, os trabalhos científicos são formados por pesquisadores experientes de diferentes áreas, como ornitólogo, herpetólogos, ictiólogo, mastozoólogos, botânicos, veterinários, montanhistas e conservacionistas, que juntos, através de um esforço contínuo e de longo-prazo pesquisam para proteger espécies ameaçadas, assegurar a boa gestão das áreas protegidas e promover ações de conservação.


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Trabalhos Publicados

Trabalhos publicados que incluem informações científicas oriundas da Área Particular de Preservação Ambiental São Francisco.


 

Forest cover influences occurrence of mammalian carnivores within Brazilian Atlantic Forest - O processo de fragmentação de habitat reduz a biodiversidade e afeta processos ecológicos fundamentais para a manutenção de serviços ecossistêmicos. Nós investigamos como as métricas de estrutura da paisagem—cobertura florestal, densidade de manchas, cobertura porcentual de borda, relação perímetro-área e heterogeneidade espacial—afetam a diversidade de mamíferos carnívoros em múltiplas extensões em 22 paisagens da Mata Atlântica. Orientamo-nos pelas seguintes hipóteses: a) a riqueza de carnívoros é relacionada positivamente com a cobertura florestal; b) a ocorrência das espécies varia de acordo com a sua sensibilidade à perda de floresta e à preferência por florestas ou áreas abertas. Riqueza, composição e ocorrência de mamíferos carnívoros foram relacionadas com várias métricas da paisagem. Devido à alta correlação entre as métricas, adotamos a quantidade de floresta como principal variável preditora. Nós comparamos modelos de cobertura florestal com modelos nulos usando o Critério de Informação Akaike corrigido (AICc) e avaliamos outras métricas da estrutura da paisagem usando análise de redundância. A riqueza de espécies de carnívoros está positivamente relacionada à cobertura florestal e negativamente associada à fragmentação. Porém, as respostas à estrutura da paisagem diferiram entre as espécies, possivelmente devido às diferenças quanto ao uso de habitat. Configuração da paisagem é importante para explicar a composição de espécies de carnívoros. A cobertura florestal pode explicar a ocorrência de algumas espécies, mas não todas. Nossos resultados reforçam que a proteção das florestas é fundamental para a conservação das espécies de carnívoros, e os processos ecológicos nos quais participam.

 

Landscape features lead to shifts in communities of medium- to large-bodied mammals in subtropical Atlantic Forest - Defaunação é uma questão ecológica chave e que só recentemente tem recebido atenção suficiente. Como previsto, as evidências até agora indicam perda de espécies de maior porte, seguida por espécies de médio porte, levando à efeitos em cascata que se propagam em todas as comunidades e ecossistemas. A Mata Atlântica está entre os mais importantes hotspots de biodiversidade mundiais. Essa região tem sido historicamente impactada pela perda e fragmentação de hábitat, resultando em mudanças na paisagem e impactos negativos nas comunidades animais. Este estudo avalia características de comunidades de mamíferos de médio e grande porte na Mata Atlântica subtropical, sul do Brasil. Nós reunimos dados sobre ocorrência de mamíferos utilizando 108 armadilhas fotográficas instaladas em oito áreas protegidas. Em seguida, avaliamos se as diferenças de paisagem impactam a riqueza, composição e a complexidade das comunidades de mamíferos. Especificamente, nós usamos uma análise de árvore de regressão para avaliar as diferenças na composição das comunidades em função da configuração da paisagem. Analisamos ​​dados de 26 espécies no total, com o número de espécies por área variando 9 a 17. As alterações na composição de mamíferos na escala da paisagem foram mais fortemente associadas à ocupação humana. As áreas com maior ocupação humana tiveram baixa riqueza de espécies, com predominância de espécies onívoras e insetívoras de médio porte, e, estas condições geraram índices de defaunação elevados. A complexidade das comunidades foi maior em áreas com baixa ocupação humana, onde carnívoros (Felidae) foram mais frequentes. As diferenças na composição de espécies também foram ligadas às quotas de altitude, assim como à razão entre o período de tempo com estatuto de proteção e o tempo de exploração de cada área. A análise com abordagem de grupos funcionais indicou que a maior ocupação humana teve efeitos negativos sobre as espécies maiores, um processo com consequências negativas iminentes. Apesar da defaunação ser uma importante questão ecológica, nós acreditamos que um conjunto de ações conservacionistas imediatas podem potencialmente limitar ou reverter os efeitos da defaunação antes que mudanças mais dramáticas acontecem.